Educação: para que os prefeitos não fiquem só no discurso

By Rodrigo Gonçalves

Terça-feira, 19 de agosto de 2008. No mesmo dia em que começava o horário eleitoral gratuito no Brasil, o movimento Todos Pela Educação lançava a campanha “No ar, Todos Pela Educação – Eleições 2008”, em um evento no Museu de Arte Moderna de São Paulo. O objetivo da campanha é fazer com que a qualidade da educação se torne um tema prioritário nos debates entre os candidatos a prefeito. “Poucas pessoas sabem que a prefeitura é a responsável pela educação nos anos iniciais da alfabetização”, explica Mariana Silveira, coordenadora de comunicação do Todos pela Educação.

Com a campanha, o movimento também pretende pressionar os candidatos a desenvolver políticas mais efetivas para a Educação, focadas na qualidade – e não apenas no aumento da freqüência dos alunos nas aulas. O período da campanha eleitoral é considerado um momento estratégico nesse sentido. “Se não aumentarmos a demanda e a exigência, não teremos maior oferta de serviços de qualidade”, afirma Mariana. Atualmente, cerca de 97% das crianças brasileiras cursam o Ensino Fundamental. O índice é bom, mas esconde um problema crônico – a falta de qualidade das escolas. Por mais que freqüentem as aulas, muitas crianças têm dificuldades para se alfabetizar até os oito anos. Segundo o movimento Todos Pela Educação, menos de 5% dos alunos da 4ª série estão plenamente alfabetizados. “A apresentação de propostas para melhorar as condições de ensino são essenciais, e a população tem que aprender a identificar e a cobrar isso dos candidatos”, diz Mariana.

A campanha será realizada em parceria com veículos de imprensa de todo o país e deverá atingir quase a totalidade de lares brasileiros. “Não existe fórmula mágica para decidir qual é o melhor candidato para cada região. O importante é pesquisar as propostas, focando na área de Educação, e avaliar se elas podem ser concretizadas”, aconselha Mariana.

A ONG Todos Pela Educação conta com a participação de grandes líderes da iniciativa privada, tais como o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, do Grupo Gerdau, e Antonio Matias, do Banco Itaú. Representantes do Terceiro Setor, como Milú Villela, da Fundação Itaú Social, Denise Aguiar, da Fundação Bradesco, Viviane Senna, do Instituto Ayrton Senna, e Ricardo Young, do Instituto Ethos – além de Unicef e Unesco –, também estão engajados. Da esfera pública, participam representantes do Ministério da Educação e Cultura (MEC), secretários de Estado e secretários municipais.

As cinco metas traçadas pelo movimento Todos Pela Educação até 2022:

Meta 1 – toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola;
Meta 2 – toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos;
Meta 3 – todo aluno com aprendizado adequado à sua série;
Meta 4 – todo jovem com Ensino Médio concluído até os 19 anos;
Meta 5 – investimento em Educação ampliado e bem gerido

(Fonte: Revista Amanhã – 19082008)

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